22 de mar de 2009

Estou grávida da minha namorada
Um casal de lésbicas de São Paulo pode ser o primeiro a registrar os filhos com o nome de duas mães
Francine Lima
Bruno Miranda
FRUTOS DO AMOR
Adriana, grávida de sete meses, recebe o carinho de sua companheira, Munira, na cama do casal. As duas geraram os bebês juntas

Munira Khalil El Ourra não vai dar à luz, mas é mãe de duas crianças que vão nascer até a primeira semana de maio. Quem está na 31ª semana de gestação é sua companheira, Adriana Tito Maciel. A barriga é de Adriana. Os óvulos fecundados que grudaram no útero dela pertenciam a Munira. Os bebês já têm nome: Eduardo e Ana Luísa. Serão paridos e amamentados por Adriana, de pele marrom e cabelo que nasce crespo. Mas terão a cara de Munira, branquinha e de cabelo liso.

Para a lei, mãe biológica é quem carrega a criança no ventre. Mas um exame de DNA mostraria o contrário. Nem Adriana nem Munira pretendem disputar na Justiça a guarda das crianças. O que elas querem é sair da maternidade juntas, com um documento que permita registrar as crianças no cartório com o sobrenome de cada uma e o nome das duas mães na certidão de nascimento. Como qualquer família normal.

O sonho de ter filhos era antigo para as moças de 20 e poucos anos que se conheceram em Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo. A decisão de namorar sério foi influenciada por esse interesse em comum. Em poucos meses, estavam dividindo um apartamento e fazendo planos. Algum tempo depois, Adriana descobriu no ginecologista que seu útero estava ameaçado por uma doença que já lhe tinha arrancado um ovário: a endometriose. “Fiz tratamento desde os 18 anos”, diz Adriana. “Na época, achavam que era cólica menstrual e medicavam com morfina. Quando descobriram, já tinha perdido o ovário direito. E as dores continuavam.” O médico disse a ela que uma gravidez reduziria o problema em 80% e ainda lhe daria a chance de ter um filho antes que o útero ficasse inválido.

Apesar do relacionamento ainda recente, Munira e Adriana aceitaram a ideia e procuraram um especialista em reprodução humana no Hospital Santa Joana para fazer a inseminação artificial. “A gente achava que iria comprar esperma, levar para casa e aplicar com uma seringa”, diz Munira. Os planos mudaram quando o novo médico descobriu que Adriana só tinha metade do ovário esquerdo e já não podia engravidar com os próprios óvulos. Ele sugeriu que Munira cedesse os seus. Se usassem o sêmen de um homem de mesmos traços que Adriana, o filho seria parecido com as duas mães.

As duas moças se animaram com a possibilidade de ter um filho que tivesse um pouco de cada uma. Ainda hoje, Adriana se emociona ao contar essa parte da história. Tinha sido muito dolorido receber a notícia de que não poderia ter filhos do seu próprio sangue, e o gesto de Munira foi mais que bem-vindo. “Foi a maior prova de amor que ela poderia me dar.”

Decisão tomada, era preciso fazer alguns exames e começar o tratamento hormonal para estimular os ovários de Munira e sincronizar os ciclos menstruais das duas. Os óvulos de Munira deveriam estar prontos para a inseminação artificial (em laboratório) na mesma época em que o útero de Adriana estivesse pronto para fixar os embriões. Munira se queixava dos percalços do tratamento. De abril a agosto do ano passado, as injeções diárias na barriga, a oscilação de humor que parecia uma TPM constante, a ultrassonografia vaginal toda semana, o acúmulo de líquido no corpo e o ganho de peso eram o preço que ela tinha de pagar pela bênção de ser mãe. Em breve, seria a vez de Adriana suportar a gravidez.

Quando essa fase chegou, Munira diz ter sentido em seu corpo muitos dos sintomas da gravidez da companheira. “Parecia que eu tinha ficado grávida também.” Ela diz ter sentido enjoos, estrias que nunca haviam existido, mau humor, dores nas costas, dor nas pernas, cansaço de dia, insônia de noite e até desejos estranhos. Fernando Prado, o ginecologista das duas, diz não ter explicação para essa sintonia. Ele não descarta que Munira possa até mesmo ter leite quando os bebês nascerem.

Dos exames à gravidez, todo o processo funcionou até melhor que o esperado. “Eu não imaginava que daria certo de primeira”, diz Prado. Segundo ele, a chance de uma inseminação desse tipo vingar é de 50%, levando em consideração a idade das pacientes e outras condições de saúde. Como Adriana ainda tinha miomas no útero por causa da endometriose, imaginou que seria preciso retirá-los antes. Mas eles nem fizeram cócegas. Para ajudar, em vez dos dez a 15 óvulos esperados após o tratamento hormonal, Munira rendeu mais de 20.


fonte:www.umoutroolhar.com.br


Em busca de um sexo bem melhor
A revolução hormonal que precede o fim do ciclo reprodutivo provoca angústias e desconfortos, mas a mulher já consegue passar por esse período sem perder a beleza e a vitalidade

Nos últimos 40 anos, as mulheres passaram por revoluções surpreendentes. Depois de séculos vivendo a ditadura do sexo para procriação, experimentaram as loucuras do amor livre na década de 70. Dez anos depois, foram obrigadas a repensar seu comportamento e partir para a política do sexo seguro em tempos de Aids. Agora, as mulheres estão aprendendo a conviver melhor com uma fase natural da vida, mas até há pouco tempo cercada de mistérios, mitos e considerada uma espécie de melancólico ponto final: o climatério - fase que antecede a última menstruação (menopausa). É verdade que muitas mulheres ainda sofrem efeitos desagradáveis típicos deste período, como o folclórico calor, mas, com a ajuda de novos medicamentos - e principalmente mais informação -, as mulheres estão demonstrando como é possível passar pelo climatério e chegar à menopausa sem perder a energia, a vitalidade e a beleza.

Ovulação
Na verdade, o climatério é mais uma das revoluções hormonais pelas quais as mulheres passam ao longo da vida. Nesse período, que em geral acontece a partir dos 40 anos, o corpo diminui gradativamente a produção dos principais hormônios femininos (estrógeno e progesterona), caracterizando o fim da ovulação e, portanto, do ciclo fértil. Tudo isso faz parte de um caminho normal da natureza feminina. As mulheres nascem, em média, com 200 mil a 400 mil folículos ovarianos. A partir do estímulo dado pelo hormônio folículo-estimulante (FSH), produzido por uma glândula no cérebro (hipófise), os folículos crescem e amadurecem. Dentro deles é que se encontra o óvulo.

Os principais sinais

Cerca de 80% das mulheres no climatério apresentam algum sintoma clínico. Destas, 20% sentem manifestações intensas, 50% médias e 20% de baixa intensidade

- Menstruações com intervalos ou volume irregular - Ondas de calor (fogachos) - Suores noturnos - Diminuição da lubrificação vaginal - Diminuição do desejo sexual - Ressecamento da pele - Insônia - Desânimo - Irritabilidade - Perda de energia - Aumento de peso
- Aumento nas taxas de colesterol

Quando o folículo atinge um certo tamanho, começa a produzir o estrógeno - hormônio feminino - que é liberado para a circulação. Ao mesmo tempo, o folículo maior cresce tanto que "estoura" e libera um óvulo para ser fertilizado (ovulação). Com o passar do tempo, no entanto, vão restando apenas os folículos que respondem menos à ação estimulante do FSH. Além de serem folículos mais velhos, também estão em muito menor número. Dessa forma, os poucos folículos que restaram nessa fase não crescem e não produzem mais estrógeno. A ovulação começa a se tornar cada vez mais irregular até acabar definitivamente. E como a progesterona só é produzida se ocorre a ovulação - é este hormônio que promoverá alterações no útero para que o óvulo se fixe, dando início à gravidez, na hipótese de fecundação -, não haverá produção suficiente deste hormônio, deixando as menstruações irregulares até que elas também terminem. Essa revolução, natural e esperada, acaba deixando, no entanto, o organismo da mulher mais vulnerável. Por causa do fim da produção do estrógeno, por exemplo, aumentam as chances de doenças cardiovasculares. Isso porque o estrógeno é um dos protetores da mulher contra esses males. Ele aumenta a produção do colesterol bom (HDL), que ajuda a evitar o depósito de gordura nas artérias e também diminui o colesterol ruim (LDL), que faz a ação inversa. É também nesta época que se elevam os riscos de desenvolver a osteoporose, doença caracterizada pelo enfraquecimento dos ossos. A perda de cálcio, que começa logo depois que a mulher atinge o seu pico de massa óssea (por volta dos 25 anos), tende a crescer à medida que a quantidade de estrógeno no organismo vai diminuindo. "Nos primeiros cinco anos depois da última menstruação, essa perda pode chegar a 1% a 4% de massa óssea por ano", diz a ginecologista Suelly Coltro, de São Paulo. O estrógeno, nesse caso, tem a função de melhorar a absorção de cálcio pelos ossos e pelo intestino.

Sinais
A irregularidade menstrual (aumento ou diminuição dos intervalos entre uma menstruação e outra no volume de sangue) pode ser o primeiro sinal de que as modificações hormonais do climatério estão em curso no corpo da mulher. Fora isso, cerca de 80% das mulheres apresentam outros sintomas de intensidade variável durante o período, como as ondas de calor, conhecidas como fogachos, que se manifestam principalmente à noite, fazendo subir pelo rosto e pelo tórax uma forte sensação de calor e provocando suores. A mulher também pode sentir fadiga, irritabilidade e depressão. A origem dos fogachos ainda não está completamente esclarecida pelos médicos. Felizmente, porém, sintomas como esses não fazem sofrer todas as mulheres que passam pelo climatério. "Apenas 30% das mulheres sentem sinais intensos", alerta o ginecologista Cesar Eduardo Fernandes, professor da Santa Casa de São Paulo e presidente da Sociedade Brasileira do Climatério (Sobrac).

Combinação - Os motivos para a desconfiança estão baseados em uma longa história. Quando a TRH começou a ser usada, utilizava-se apenas estrógeno, exatamente pelo fato de ele ser o hormônio que mais traz benefícios. O problema é que o estrógeno utilizado sozinho por muito tempo pode levar ao aparecimento de câncer de endométrio (revestimento interno do útero). Mas se descobriu, depois, que bastava usar a TRH combinada (estrógeno mais progesterona) que esse risco desaparecia. O que existe hoje, na verdade, é uma preocupação em torno da TRH e sua relação com câncer de mama. Ainda não se tem consenso científico sobre a existência dessa relação, embora grande parte dos trabalhos mostre que a terapia de reposição não causa esse tipo de tumor. Ao contrário, já se sabe, por exemplo, que uma mulher que venha a desenvolver câncer de mama terá uma sobrevida maior aos tratamentos - viverá mais após uma cirurgia, quimioterapia ou radioterapia - se tiver feito TRH em relação àquela que não fez simplesmente porque estará em melhores condições cardiovasculares e gerais de saúde.

Os benefícios da reposição hormonal

O que o estrógeno e a progesterona podem fazer pela sua saúde

- Alívio dos sintomas do climatério (ondas de calor, insônia, suores)
- Melhora a absorção de cálcio e previne a osteoporose
- Melhora a lubrificação vaginal
- Ajuda a reduzir os níveis de colesterol
- Protege o coração, diminuindo a incidência de infartos
- Impede o ressecamento da pele e favorece a elasticidade cutânea

Há ainda outra lista de benefícios da TRH. Estudos já comprovam a redução na incidência do mal de Alzheimer (doença degenerativa que tem a demência como uma de suas principais características) com o uso de estrógeno. Outra pesquisa, publicada recentemente pela revista The Lancet, uma das mais conceituadas publicações científicas do mundo, mostra que, comparando-se mulheres de uma mesma faixa etária, aquelas que faziam uso da TRH aparentavam oito anos menos que as do grupo sem tratamento. Isto porque o estrógeno - ele de novo - também aumenta o teor de colágeno da pele (o colágeno é a substância que dá sustentação à pele). Existem ainda outras opções para reduzir os riscos de osteoporose e doenças cardiovasculares, além da TRH. Um exemplo é a droga raloxifeno. Disponível no Brasil desde 1997, o raloxifeno atua de forma seletiva, liberando a entrada do hormônio estrógeno nas células dos ossos, coração e outros tecidos ao mesmo tempo que bloqueia sua ação nos tecidos da mama ou do útero. Como se vê, com a ajuda da ciência - e também a partir de uma nova maneira de ver a vida - a mulher vai aprendendo que o climatério nem de longe marca o começo do fim. É apenas mais uma revolução.


Sexo Oral Sadio , Só Se For Seguro

• Sempre usar preservativo feminino .

• Não fazer sexo oral durante o período menstrual, pois o sangue é via de transmissão de doenças sexualmente transmissíveis, inclusive a Aids .

• Não engolir fluídos vaginais da parceira se fizer sexo oral sem proteção . Os fluídos em si não são tóxicos , mas podem transportar vírus , bactérias e protozoários que causam doenças sexualmente transmissíveis.

• Evitar escovar os dentes ou usar fio dental imediatamente antes de fazer o sexo oral . Podem ser criadas pequenas lesões na boca por onde entrarão vírus e bactérias se a parceira não usar preservativo feminino . Neste caso , utilizar uma solução de limpeza bucal .

• Fazer visitas regulares ao ginecologista . Se o médico revelar preconceito, buscar outro médico .


Vida Saudável Previne Câncer de Mama
Miriam Martinho

ALIMENTAÇÃO: Está comprovado que dietas ricas em verduras e vegetais, alimentos integrais e carnes magras ou pouca ou nenhuma carne previne inúmeros tipos de câncer, incluindo o de mama. Lembrar que, dada à dose maciça de hormônios e antibióticos dados aos frangos de produção industrializada, sua carne não é das mais saudáveis. Agora já existe carne de frango sendo vendida nos mercados que promete não conter essas substâncias. Prefira-as em relação às do frango comum bem como prefira frangos caipiras que são criados de forma mais natural.

EXERCÍCIOS: Está comprovado que a vida sedentária aumenta o risco da incidência de vários males, incluindo o câncer em suas diferentes manifestações. Pelo menos caminhe meia-hora 3 vezes por semana de forma regular, não esquecendo de alongar-se antes e depois da caminhada. Quaisquer outros esportes também são bem-vindos.

MAUS HÁBITOS: Está comprovado que o cigarro é responsável direto ou indireto por inúmeros tipos de câncer, incluindo o câncer de mama. Todo o esforço vale a pena no sentido de abandonar este hábito. Beba com moderação. O excesso de álcool também está relacionado a inúmeros males, incluindo o câncer. Mantenha-se dentro de sua faixa de peso normal. A obesidade aumenta em muito suas chances de vir a ter câncer, além de hipertensão, diabetes, enfarte, derrame, etc...

Abaixo você verá como fazer o auto-exame de seus seios. Faça-o todo o mês. Não deixe de fazê-lo porque tem medo de encontrar “algo”. Até prova em contrário, um nódulo não é câncer. Segundo os especialistas, a maioria dos nódulos é benigna. No entanto, ao encontrar um carocinho, você deve imediatamente procurar um@ médic@ (ginecologista, mastologista), pois, só através de exames, pode-se comprovar a natureza do nódulo. Caso venha a ser câncer, quanto mais cedo for descoberto e retirado maior as chances de cura.


Faça o auto-exame uma semana após a menstruação. Após a menopausa, examine as mamas no primeiro dia do mês.

No banho
Levante um braço. Com os dedos esticados, toque cada parte do seio suavemente, procurando sentir caroços ou nódulos. Use sua mão direita para examinar o seio esquerdo e a mão esquerda para examinar o seio direito.

Diante do espelho
Com os braços levantados, procure cuidadosamente por alterações de tamanho, forma
e contorno em cada seio, observando a existência de rugosidades, entradas ou mudanças na textura da pele. Aperte os mamilos suavemente procurando secreções.

Deitada
Coloque a mão direita atrás da cabeça. Com a mão esqu
erda e os dedos médio e indicador esticados, pressione suavemente a mama direita com movimentos circulares que vão desde a periferia até o mamilo. Usando a mão direita, repita o movimento no seio esquerdo.

De pé
Pressione levemente o mamilo entre o polegar e o indicador, para verificar a existência de secreções. Use o mesmo movimento circular para examinar as axilas.

Encontrando alterações de qualquer natureza, procure imediatamente um(a) médico(a). Quanto mais cedo o câncer de mama for detectado, maiores as chances de cura.

DST nas relações entre mulheres


As DST mais freqüentemente transmitidas nas relações entre mulheres são:

1) a candidíase (monília), a tricomoníase e a vaginite causada pela bactéria Gardnerella vaginalis via contato genital-genital (chanacomchana) e digital-genital (dedo-vagina);

2) o herpes genital e a hepatite A, B e C* através de contato oral-genital (chupada), oral-anal e genital-genital (chanacomchana);

* O risco de transmissão do vírus da hepatite C pela via sexual permanece controverso, tendo em vista que, embora seja incomum, há casos de transmissão registrados. O consenso é de que a via principal de transmissão do vírus da hepatite C se dá através de sangue contaminado, o que pode ocorrer pela troca de agulhas entre usuários de drogas ou pela aplicação de piercings e tatuagens sem os devidos cuidados de esterilização dos equipamentos
utilizados.

3) as causadas pelo papiloma vírus humano, como as verrugas genitais e as lesões no cérvix associadas ao câncer cervical, por meio do contato vulva-vulva, dedo-vagina.

Vale a pena lembrar que muitas dessas DST são transmitidas também via assento de banheiro, toalhas úmidas, lençóis e roupas íntimas. É bom saber ainda que vaginites, causadas, por exemplo, por cândida e gardnerella vaginalis, são frutos de desequilíbrios de nossos próprios organismos. A cândida é um fungo e a gardnerella uma bactéria que vivem normalmente na flora vaginal e no reto, contribuindo inclusive para manter a acidez natural da vagina.

Por razões que vão de estresse a desequilíbrios hormonais e depressão até a consumo exagerado de açúcar e álcool, passando pela menstruação, o pH da vagina fica mais alcalino dando chance à cândida e à gardnerella, entre outros microrganismos, de se proliferarem. Não vá, portanto, pedir o divórcio à companheira se ela tiver alguns desses probleminhas e repassá-los para você. Basta tratar.

Uma palavrinha sobre a aids

Assim como acontece em relação a outras DST, as lésbicas não são imunes à aids. Embora sejam poucos felizmente - os registros de casos de transmissão do HIV na relação sexual entre mulheres, eles existem e não podem ser desconsiderados. Pondera-se que o baixo índice de casos públicos de AIDS, entre lésbicas, pode se dever, por um lado, ao fato das lésbicas serem incluídas estatisticamente na categoria geral "mulher", permanecendo, portanto invisíveis, e, por outro, às próprias vias de transmissão do vírus, mais limitadas nas relações entre mulheres (haveria menor quantidade de HIV nas secreções vaginais, por exemplo).

Seja como for, é essencial saber que risco pequeno não significa nenhum risco. Como você sabe, o HIV é transmitido através de sêmen, sangue (inclusive o menstrual), secreção vaginal e leite materno contaminado por meio de alguma “porta aberta” no corpo das pessoas.

Essa “porta aberta ou de “entrada” pode ser uma microfissura na região genital, produzida durante uma transa ou por um problema ginecológico, como um arranhão ou eczema nas mãos, alguma feridinha na boca ou irritação na gengiva, ou seja, por qualquer via que permita ao vírus entrar na corrente sangüínea.

Assim, na relação genital-genital (chanacomchana) ou oral-genital (chupar a chana ou o ânus) ou mesmo na penetração manual ou com instrumentos sexuais, havendo contato de secreção vaginal ou sangue menstrual contaminados, com alguma porta de entrada, uma mulher pode sim passar potencialmente o HIV para outra.

Práticas sexuais e sexo seguro

Vamos agora aos outros acessórios, não sem antes algumas considerações gerais. Se você e sua parceira estão num relacionamento (realmente) monogâmico de média ou longa duração, podem abster-se do uso de barreiras, a não ser no caso de infecções por cândida ou gardnerella vaginalis que se originam de disfunções do próprio organismo. No caso de relações recentes, a adoção das barreiras ou de outras formas de impedir a troca de fluidos é o ideal.

Outra maneira de se sentir mais confiante para a prática de sexo sem proteção é solicitar da parceira periodicamente exames de sangue e de secreção vaginal. Como algumas DST são assintomáticas em mulheres, a pessoa pode estar infectada sem saber.

Sexo oral: o uso de luvas cirúrgicas cortadas, encontradas em farmácias, é o meio mais prático de que dispomos por causa do tamanho do produto. Uma camisinha masculina cortada não lubrificada também pode ser utilizada para esse fim.

Quadrados de látex (dental dam) usados por dentistas não são fáceis de encontrar, mas você pode tentar achá-los em sex shops ou em casas de materiais cirúrgicos. Mantenha sua higiene bucal em dia, evitando gengivites (inflamação da gengiva), periodontites, etc.. Consulte um dentista regularmente.

Chanacomchana (tribadismo): o triba-dismo clássico, ou seja, esfregar a vulva na vulva da parceira é uma prática de risco, pois infelizmente não há como manter fixa qualquer barreira que se ponha entre as vulvas; o uso de calcinhas de látex (encontra-se em algumas sex shops) costuma diminuir a sensibilidade genital, embora seja uma possibilidade a ser considerada. Esfregar a vulva em outras partes do corpo da parceira não é arriscado.

Penetração com dedos e mãos: Você pode usar luvas cirúrgicas, camisinhas feminina ou masculina. Se não consegue usar nenhum desses acessórios, mantenha suas mãos e dedos livres de cortes, as unhas bem aparadas e limpas. Antes de fazer penetração, limpe as mãos com lenços anti-sépticos. Não esqueça de também utilizar somente lubrificantes à base de água (KY ou congêneres).

Penetração com objetos sexuais (dildos/consolos, plugs): lave-os com sabonete neutro ou bactericida antes e depois da penetração ou use uma camisinha neles. A conservação desses objetos exige periódicas lavagens, se guardados por muito tempo sem arejar, a fim de eliminar fungos e mofo. Para quem usa cintas de couro como suporte para os dildos, lembrar que esse material deve ser sempre arejado, limpo com pano úmido e depois deixado ao ar livre para secar.

Em ambos os casos, nunca se deve usar na penetração vaginal a mesma mão ou o mesmo objeto sexual com o qual se fez penetração anal. Troque de mão, troque de camisinha ou troque de objeto para evitar que as bactérias da região do reto passem para a vagina causando uma infecção.